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Goiás tem 424 obras com recursos do governo federal paralisadas; seminário em Goiânia discutirá soluções

Evento reunirá especialistas de 11 a 13 de novembro para debater planejamento, contratação, fiscalização e uso de tecnologia em obras públicas.

Goiás registrava 424 obras financiadas com recursos do governo federal paralisadas, entre 835 empreendimentos mapeados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em levantamento referente a abril de 2025. O problema será um dos temas da 5ª edição do Seminário Excelência na Contratação de Obras Públicas e Serviços de Engenharia, que ocorrerá de 11 a 13 de novembro de 2026, no K Hotel, em Goiânia.

As paralisações correspondiam a 50,8% das obras mapeadas no estado. Os empreendimentos interrompidos tinham valor previsto de R$ 1,2 bilhão e já haviam recebido cerca de R$ 497 milhões em recursos federais.

Em todo o país, o levantamento identificou 11.469 obras paralisadas entre 22.621 empreendimentos, o equivalente a 50,7%. A situação também atingia projetos recentes: das 5.505 obras iniciadas entre abril de 2024 e abril de 2025, aproximadamente 1.200 já estavam paradas.

Promovido pela Excelência Educação, o seminário terá três dias de programação e carga horária de 20 horas, com debates sobre medidas para melhorar o planejamento, a contratação, a execução e a fiscalização de obras públicas.

 

Para o fundador da instituição, Edmilson Rodrigues, os efeitos das paralisações vão além dos recursos empregados.

 

“Uma obra paralisada não representa apenas dinheiro público imobilizado. Significa uma escola que não atende alunos, uma unidade de saúde que não recebe pacientes ou uma infraestrutura que deixa de chegar à população”, afirma.

 

Segundo ele, o encontro busca qualificar os profissionais responsáveis por todas as etapas dos empreendimentos. “O seminário foi construído justamente para aproximar especialistas e profissionais que vivem esses problemas diariamente e discutir soluções que possam ser aplicadas na prática.”

 

Planejamento, segurança jurídica e tecnologia

 

A programação abordará planejamento das contratações, programação orçamentária, manutenção predial, alterações contratuais, medições, reequilíbrio econômico-financeiro, sanções administrativas e prevenção de irregularidades.

 

Também haverá uma oficina sobre Building Information Modeling (BIM) e ferramentas de inteligência artificial aplicadas à contratação de projetos e obras. Os debates incluem a Lei nº 14.133/2021 e os cuidados necessários para garantir segurança jurídica durante o planejamento e a execução dos contratos.

 

A coordenação técnica será do engenheiro André Kuhn, mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ex-diretor-executivo do DNIT, ex-presidente da Valec e ex-secretário de Engenharia e Arquitetura do Ministério Público Federal. Ele fará a palestra de abertura e conduzirá uma oficina sobre gestão contratual.

 

Os auditores federais de Controle Externo do TCU Rafael Jardim e André Baeta também participarão. Jardim abordará as principais irregularidades na contratação de obras e serviços de engenharia e as medidas preventivas que podem ser adotadas pelos gestores. Baeta discutirá modelos de contratação de manutenção predial e os cuidados exigidos pela legislação.

 

A programação contará ainda com Renila Bragagnoli, secretária de Integridade da Codevasf, que tratará dos aspectos jurídicos do planejamento à execução; Viviane Mafissoni, coordenadora-geral de Logística da Advocacia-Geral da União, responsável pelo debate sobre sanções administrativas; e Thaís Araripe, diretora-geral da Agência Reguladora do Estado do Piauí, que abordará o papel da assessoria jurídica na proteção do agente público e na garantia da legalidade.

 

No segundo dia, oficinas simultâneas serão conduzidas por Paulo Reis, Hugo Teixeirense, Washington Luke e André Kuhn, com aprofundamento em planejamento, orçamento, tecnologia e gestão contratual.

 

Seminário chega ao Centro-Oeste

 

Após a edição de 2025, realizada no Rio de Janeiro, o evento chega a Goiânia com a proposta de ampliar o acesso às discussões e reunir profissionais de diferentes regiões e instituições.

 

“Queremos criar um ambiente em que essas experiências se encontrem e em que o participante volte para o seu órgão com ferramentas que possam efetivamente melhorar as contratações e as entregas”, destaca Edmilson Rodrigues.

 

O seminário é destinado a agentes públicos federais, estaduais e municipais, gestores e fiscais de obras e contratos, agentes e membros de comissões de contratação, procuradores, advogados, engenheiros, arquitetos, projetistas, orçamentistas, auditores, integrantes de órgãos de controle e profissionais de construtoras e empresas de engenharia.

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